Os atores de um Caps infanto-juvenil contam da sua Prática junto às unidades básicas de saúde:
Tecendo rede: experiências de apoio matricial do CAPSij
Este trabalho apresenta as experiências de apoio matricial realizadas por um CAPSij. Aqui serão relatadas brevemente a construção e o processo de qualificação e cuidado conjunto da infância e adolescência com os alguns Centros de Saúde. É importante destacar que o apoio matricial é realizado por psicólogos, terapeutas ocupacionais, técnicos de enfermagem e fonoaudiólogas, ou seja, envolve todos os profissionais que compõem a equipe do CAPSij.
Em alguns CS, além da discussão de caso em reunião, também foram construídos conjuntamente entre as equipes grupos terapêuticos. Em uma das unidade, as ações de apoio matricial foram iniciadas com a solicitação da Equipe de Saúde da Família e Saúde Mental para o CAPSij. Em um primeiro momento aconteceram encontros para conhecimento da demanda da unidade e posteriormente o planejamento dos grupos de crianças e pais. Foi sentido que cada vez mais houve uma aproximação da equipe do CS com as demandas de seu território e, assim, coletivamente os objetivos do grupo foram sendo construídos e dentre eles se destacam o trabalho das sensações, percepções, cuidados com o corpo, jogos estruturais e sua importância no cuidado das crianças.
Noutra, por interesse e acordo entre as gestões, foi proposto pelo CAPSij a construção conjunta de um grupo de crianças como forma de introduzir neste serviço a temática da infância e saúde mental. A experiência interna do CAPSij com grupo de crianças e pais possibilitou a criação de um grupo semelhante no CS, que acontece semanalmente e conta também com a participação de outros profissionais do serviço. Com isso foi possível conhecer e se vincular com o território e estreitar a parceria com o CS, sendo o objetivo contribuir com um olhar diferenciado, que parte de um modelo antimanicomial.
Em determinados CS são realizadas reuniões quinzenais. A periodicidade e o investimento dos profissionais em estarem presentes e participantes dos encontros vêm possibilitando a constituição de uma grupalidade entre os trabalhadores, capaz de sustentar as inúmeras dificuldades do cuidado compartilhado dos casos e de criar arranjos novos e, às vezes, inusitados de intervenção. Entre as ações realizadas e criadas se destacam as discussões de temas relacionados à saúde mental infanto-juvenil; atendimentos conjuntos; atendimentos de psiquiatria; reuniões intersetoriais, inclusive com professores de escolas da região; elaboração e realização de grupo de acolhimento/avaliação de crianças e suas famílias; troca-troca entre grupo terapêutico do CS e grupo do CAPSij (um visitando o outro, as terapeutas-coordenadoras se visitando, trocando experiências); discussões de casos e construção de projetos terapêuticos compartilhados, entre outras.
Em outras unidades, além das discussões de caso em reunião, são realizados encontros com as escolas do território, nos quais ocorrem discussão de casos e temas escolhidos de acordo com as demandas trazidas pelos participantes.
Todas as experiências aqui relatadas nos fazem refletir a importância do apoio matricial em nossa prática diária, pois é possível observar que a partir dessa estratégia há aproximação entre os serviços, fortalecimento do compartilhamento e responsabilização do caso e maior empoderamento das escolas para lidarem com as dificuldades dos alunos, desmistificando e despatologizando os sintomas percebidos nas crianças.
Nenhum comentário:
Postar um comentário