O CAPS infanto-juvenil Espaço Criativo, localizado no município de Campinas/SP, atualmente é referência para dois distritos de saúde (sul e sudoeste), que possui em seu território em média de 500 mil habitantes. Este serviço atende crianças e adolescentes entre 0 e 18 anos em sofrimento psíquico intenso, por meio das seguintes atividades: acolhimento do usuário e família, atendimento individual, grupo terapêutico, oficinas, visita domiciliar e grupo de familiares, entre outros. Ao pensarmos na criança e no adolescente como um ser em desenvolvimento e com especificidades de cuidado e, a importância de que seja acompanhado por uma figura de vínculo e afeto, fica ainda maior a necessidade do trabalho no CAPSij se dar pelo acompanhamento, parceria e participação familiar. Sendo assim, focaremos este relato nestas experiências. Na maioria dos casos acompanhados pelo CAPSij, encontramos famílias que deparam-se com a primeira crise de seu familiar e possuem pouca informação sobre este adoecimento, além de vivenciar frágeis relações afetivas, acesso limitado ao território e grande vulnerabilidade social. Com isso, a implicação da família no cuidado e na garantia de direitos de crianças e adolescentes exige destes atores novos posicionamentos das relações familiares, o que pode levar a transformações em suas vidas, como expansão na rede de apoio, reorganização da rotina familiar e das jornadas de trabalho, que podem resultar na melhoria da qualidade de vida dos envolvidos. Atualmente, o CAPSij possui 5 grupos de familiares que ocorrem semanalmente, concomitantes a grupos terapêuticos de crianças ou adolescentes e tem por objetivo oferecer suporte aos familiares, tanto no sentido de ser um espaço de orientação sobre o tratamento e o cuidado com os usuários, momento para que os familiares cuidadores possam trabalhar suas angústias e estigmas sofridos, como também falar de si mesmo enquanto pessoa, não somente enquanto cuidador. Para isto, utilizamos diversos recursos de acordo com o interesse e habilidade dos participantes, como por exemplo, a atividade da culinária, roda de conversa, caminhadas e orientações mais focadas no cuidado ao usuário. Por meio destes grupos fica clara a importância de envolver a família no tratamento, pois estes reconhecem estes dispositivos enquanto um espaço terapêutico, de ajuda nos momentos de crise, de troca de experiências e de fortalecimento, portanto, um espaço que cuida daqueles que cuidam. A equipe do CAPSij deve estar comprometida em construir dispositivos de apoio e mecanismos que facilitem a participação e a integração da família. Com isso, a atenção à família também se dá no acolhimento, nos atendimentos de referência, nas assembleias e nas visitas domiciliares, no intuito de buscar o protagonismo dos atores desse processo. Entendemos que envolver os familiares no atendimento com a devida atenção necessária, ajuda no cuidado e na reintegração social da criança e adolescentes em sofrimento psíquico. Enfim, entende-se que o trabalho com as famílias requer o estabelecimento de relações de cuidado com o cuidador, isto é, uma relação que se volta para a escuta terapêutica destas pessoas, compreendendo o contexto de sofrimento presente no meio familiar, e não apenas trabalhar questões do cuidado ao usuário, o que deve fazer ou não fazer para que a criança/adolescente melhore.
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