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quarta-feira, 27 de maio de 2015
Um alô da Ana Pitta
Infelizmente, Ana Pitta não conseguiu estar conosco presencialmente na Abertura da 1a Mostra de Práticas em Saúde Mental. Reconhecer o Patrimônio da Reforma Psiquiátrica. O que estamos Reformando hoje?
Mas se fez presente na projeção que antecedeu a Conferência conduzida por Silvio Yasui e Lourdes Ferrioti:
Esta prática chegou como Relato e também foi reproduzida na nossa 1a Mostra
Labirinto das Sensações
Com a introdução da Vacina de HPV no calendário vacinal e tendo em vista a vulnerabilidade da população atendida no CAPSij Espaço Criativo, vislumbra a possibilidade de atrelar a administração da vacina na unidade a estratégias de potencialização das ações relacionadas a sexualidade, prevenção da gravidez e DST'S. Inicialmente, a equipe pensou em um Labirinto das Sensações onde seriam exploradas durante o percurso todas as sensações somáticas (visão, audição, paladar, tato e olfato). Foi agendada uma data para esta atividade e sua divulgação realizada por toda equipe com três semanas de antecedência. A estrutura física necessária para esta atividade foi uma sala aberta que se dividiu em 5 ambientes: Espaço 1: Crianças e adolescentes foram vendados e ficaram descalços para entrar no labirinto. Na entrada se deparavam com luvas enchidas com ar, que devam a sensação de ter várias mãos tocando seus corpos. No chão havia espaços com materiais macios, ásperos, grãos, líquidos, gelados e gelatinosos, onde proporcionava variadas sensações através do tato com os pés. No mesmo espaço havia cordões pendurados no teto, com essências dentro de aplicadores vaginais, trabalhando tato e olfato. No mesmo ambiente em uma parede lateral, existia um painel com inúmeras figuras abstratas, fotos do gênero feminino e masculino de variadas fases de idades, corpos seminus, casais ( heterossexual e homossexual), junto com um espelho. Nesse momento retira-se a venda do participante em frente do espelho e lá se realizava uma conversa sobre a sensação de fazer parte daquele meio enquanto indivíduo, pois sua imagem refletida no espelho se conjugava com as imagens do painel. Surgia então a oportunidade de vários questionamentos sobre preconceito, mitos e verdade sobre o corpo, as relações entre os gêneros e patologias. Espaço 2: Novamente vendados na transição entre o espaço um e dois, existia uma cortina confeccionadas por linhas e preservativos abertos, permitindo inicialmente a experiência do contato pelo toque e cheiro. Nesse ambiente o participante se sentava e com o auxílio de um técnico eram oferecidos diversos temperos aromáticos, ora suave ora agressivo, e também amostras de gustativas com diferentes gostos e texturas. E o tema abordado neste momento foi a impossibilidade de termos nossos prazeres atendidos, experimentamos ao longo da vida diversas sensações, às vezes mais agradáveis e outras nem tanto. Espaço 3: Já desvendados, no funda da sala foi montado um banheiro, dentro dele todos os elementos foram montados com materiais recicláveis. As paredes deste banheiro eram feitas com papel Kraft em formatos de azulejos e também foi deixada uma caneta, para que no momento de intimidade de cada participante eles tivessem a liberdade de “pixar” uma mensagem. Espaço 4: Para finalizar o percurso, colocava-se novamente a venda no participante e este era encaminhado para uma mesa com duas caixas: uma com próteses de genitálias e outra com preservativos. Vendado, ele era orientado a colocar a mão na caixa com as próteses femininas e masculinas e após este contato apenas com o toque, eram retiradas suas vendas, mutuamente o técnico realizava uma conversa questionando sobre o conhecimento do seu corpo, do corpo do outro, dos prazeres e seus medos. Neste momento era também realizada uma ação ativa de promoção e prevenção com a explicação e demonstração do uso correto do preservativo, DST'S, a campanha da vacina contra o HPV, reflexões sobre o evento e sensações sentidas. No final, novamente eram orientados a colocar a mão na segunda caixa, onde retiravam um embrulho com preservativo. Espaço 5: Sala disposta ao lado do labirinto, onde era realizado a vacinação por profissional habilitado da enfermagem, para crianças e adolescentes do sexo feminino que concordavam e que tinha a autorização de seus responsáveis. Em todo este processo os profissionais envolvidos contaram com a participação ativa tanto da equipe quanto dos usuários, seja na compra dos materiais, na elaboração, no preparo do labirinto e na finalização, permitindo assim, a experiência de inúmeras trocas de saberes, medos e sensações, sentidas por crianças e adolescentes de ambos sexos, com diferentes história de vida, cultura, religião e situações sociais. Durante a realização das atividades à equipe deparou-se com participantes que não conseguiram entrar no labirinto, outros que não terminaram todo o percurso por variadas limitações, como por exemplo, o estar vendado ou o contato com seu corpo. Apesar destas limitações citadas à cima, a equipe observa e identifica uma participação positiva, mobilizando os usuários que participaram em se apropriar da temática e maior conhecimento de seu corpo, possibilitando que este público tivesse acesso à educação em saúde, reflexões sobre cuidado, sobre sexualidade e respeito com seu corpo e o corpo do outro, se expressando seja pelas conversas realizadas durante o percurso de todos os espaços com tais falas: “Esse é macio, então é gostoso”, “ credo, isso é gosmento”, “sai fora é um pinto”, “esse deve estar doente, olha como está magro”, “eu sei aonde a mulher sente prazer”, “vou te ensinar a colocar camisinha”, entre outros. Como também, por meio do “pixar” o azulejo do banheiro, com escritas: “ eu sei quem escreveu a carta pra mim”, “Não existe nada pior do que a saudade”, seu nomes, desenhos, entre outros. Esperamos através desta experiência, divulgar a outros serviços, uma maneira alternativa de falarmos sobre sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção, cuidados e respeito com o corpo, tornando o sujeito ativo de todo o contexto, se permitindo conhecer e sentir seu corpo.




Mais Relatos de Prática...
De Campinas, contam do "Cuidado ao Cuidador"
O CAPS infanto-juvenil Espaço Criativo, localizado no município de Campinas/SP, atualmente é referência para dois distritos de saúde (sul e sudoeste), que possui em seu território em média de 500 mil habitantes. Este serviço atende crianças e adolescentes entre 0 e 18 anos em sofrimento psíquico intenso, por meio das seguintes atividades: acolhimento do usuário e família, atendimento individual, grupo terapêutico, oficinas, visita domiciliar e grupo de familiares, entre outros. Ao pensarmos na criança e no adolescente como um ser em desenvolvimento e com especificidades de cuidado e, a importância de que seja acompanhado por uma figura de vínculo e afeto, fica ainda maior a necessidade do trabalho no CAPSij se dar pelo acompanhamento, parceria e participação familiar. Sendo assim, focaremos este relato nestas experiências. Na maioria dos casos acompanhados pelo CAPSij, encontramos famílias que deparam-se com a primeira crise de seu familiar e possuem pouca informação sobre este adoecimento, além de vivenciar frágeis relações afetivas, acesso limitado ao território e grande vulnerabilidade social. Com isso, a implicação da família no cuidado e na garantia de direitos de crianças e adolescentes exige destes atores novos posicionamentos das relações familiares, o que pode levar a transformações em suas vidas, como expansão na rede de apoio, reorganização da rotina familiar e das jornadas de trabalho, que podem resultar na melhoria da qualidade de vida dos envolvidos. Atualmente, o CAPSij possui 5 grupos de familiares que ocorrem semanalmente, concomitantes a grupos terapêuticos de crianças ou adolescentes e tem por objetivo oferecer suporte aos familiares, tanto no sentido de ser um espaço de orientação sobre o tratamento e o cuidado com os usuários, momento para que os familiares cuidadores possam trabalhar suas angústias e estigmas sofridos, como também falar de si mesmo enquanto pessoa, não somente enquanto cuidador. Para isto, utilizamos diversos recursos de acordo com o interesse e habilidade dos participantes, como por exemplo, a atividade da culinária, roda de conversa, caminhadas e orientações mais focadas no cuidado ao usuário. Por meio destes grupos fica clara a importância de envolver a família no tratamento, pois estes reconhecem estes dispositivos enquanto um espaço terapêutico, de ajuda nos momentos de crise, de troca de experiências e de fortalecimento, portanto, um espaço que cuida daqueles que cuidam. A equipe do CAPSij deve estar comprometida em construir dispositivos de apoio e mecanismos que facilitem a participação e a integração da família. Com isso, a atenção à família também se dá no acolhimento, nos atendimentos de referência, nas assembleias e nas visitas domiciliares, no intuito de buscar o protagonismo dos atores desse processo. Entendemos que envolver os familiares no atendimento com a devida atenção necessária, ajuda no cuidado e na reintegração social da criança e adolescentes em sofrimento psíquico. Enfim, entende-se que o trabalho com as famílias requer o estabelecimento de relações de cuidado com o cuidador, isto é, uma relação que se volta para a escuta terapêutica destas pessoas, compreendendo o contexto de sofrimento presente no meio familiar, e não apenas trabalhar questões do cuidado ao usuário, o que deve fazer ou não fazer para que a criança/adolescente melhore.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
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